quarta-feira, 20 de novembro de 2013

A Melodia e o Sonho

A Melodia e o Sonho

Sonho pesadelos
num dedilhar do piano
na sonoridade melodiosa
de uma sonata

Beethoven estrangula-me
num relâmpago louco
na sintonia pianesca
da Appassionata

O delírio abre-me a febre
numa ousadia tresloucada
das teclas na brancura dos sons
são álamos esfuziantes

Que na loucura dos séculos
me transpõe na similitude
do dedilhar desconforme
no entontecimento da noite.

Pedro Valdoy


Buscando a Paz

Buscando a Paz

Ando sereno em paz
numa evolução possível
mas inacessível à guerra
coberta de sofrimento

Pela aragem da paz
correm ventos de luz
com o sorriso das crianças
com a esperança de um povo

As areias movem-se 
com o vento da paz
com o chilrear das avezitas
com a ingenuidade de uma criança…

Pedro Valdoy

A Dúvida

A Dúvida 

Caem pingos de chuva
no meu coração
coberto de saudades
do teu amor

São pingos que sangram
na imensidão de uma alma
recheada de esperanças
pelo teu regresso

As pétalas da tua flor
caíram no desespero
com uma mágoa serena
num regresso em vão

Ouço a campainha da porta
entoam cânticos de dúvidas
nem sei se irei abrir
O som repete-se

Vou abrir   desconfiado
na serenidade dos tempos
Mas... és tu!
meu coração regozija

Pareces um anjo
coberto de desejos
na penumbra da sala
que eu não mais esquecerei.

Pedro Valdoy

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Genialidade Musical

Genialidade Musical

A monstruosidade de um Beethoven
recai sobre os meus tímpanos
num delírio dum violino a sussurrar
com a orquestra
numa zanga infernal
num delírio dos séculos
que trespassam meu ser
enfraquecido pela melodia
extravasante de Ludwig
no esquecimento feroz
da ingratidão da vida.

Pedro Valdoy

Sentimento de um Sonho

Sentimento de um Sonho

Sonhos da natureza
atravessam planícies
com o sopro da vida
no desejo da liberdade

Os sorrisos entrevêem a vitalidade
como asas dos rouxinóis
na brisa da liberdade
na suavidade de uma estrela

sentir as nuvens
como uma águia
livre suave
no correr do tempo

Pôr um desejo 
no sentimento infantil 
sorridente alegre 
de uma névoa ligeira

Por entre a honestidade
a sinceridade a humildade
no reino dos sentimentos
a dealbarem sobre um país.

Pedro Valdoy

Dias de Inverno

Dias de Inverno

Ao cair da folha
pingos de chuva saltitam
em dias invernosos    frios    tristes
Carros deslizam por tempestades
sobre lamas em estradas esburacadas

Choques se verificam
Discussões
poluem o meio ambiente
já de si poluído
O amanhecer de uma cidade
triste    fria    invernosa

Agasalhados passeiam de carro
de autocarro e a pé
o gelo sente-se nos ossos
de quem passa e corre
para compromissos
donde depende uma certa
independência
um certo conforto
um certo sorriso

Mas impávido  sereno
lá vai o ciclista da minha rua

Pedalada aqui pedalada ali
indiferente às bichas
de carros e autocarros
indiferente ao frio e à chuva
indiferente a todos
Para ele a Primavera
dura todo o ano.

Pedro Valdoy

Borboleta

Borboleta

Por entre os campos
cobertos de flores
voa a borboleta
com sua elegância
sua beleza
num Universo de ferocidades

Senti-a bater na minha janela
com toda a sua leveza
fui abrir
então entrou como uma rainha
pousou no meu ombro
e um cântico entoou com grandeza

Uma luz brilhante
vindo do Universo
aproximou-se da minha janela
e entrou
rodeou a borboleta
e um estalido soou

Deu-se o milagre
no lugar de uma borboleta
surgiu uma princesa
coberta de cetim finíssimo
e então só então
beijou-me profundamente

O amor confundiu-me
e desejei-a para todo o sempre
unimo-nos em êxtase
momentos inesquecíveis
rodearam meu corpo
seria um sonho?

Ainda hoje ando confuso
quando despertei para a realidade
senti-me despedaçado
com sonho tão belo
num desespero dei um grito
e senti-me só com o pesadelo da solidão.

Pedro Valdoy