quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Em Tempos

Em Tempos

No solstício ameno
o Sol adormeceu
na meninice
de um cordeiro
por campos avassaladores

Nos montes de guerra
no desperdício
ferrugento das armas
no mar
tonitruante

São campos cobertos de lírios
estragados pelo ser
no incomensurável destino
na ferocidade do monstro
feito homem.

Pedro Valdoy



A Amargura de um Ser

A Amargura de um Ser

Sinto a amargura do ser
transpor montes e vales
na solidão dos dias
por entre as trevas sagradas

Um amor destemido
esvai-se no jardim
das tempestades   da chuva
com beijos de mel

São os meus sentimentos
com o coração ancorado
a brincar à juventude
de lírios solidários

Criei uma auréola
por entre as nuvens
do passado irrequieto
talvez longo

Em criança a alegria
na perenidade dos dias
evoluía no jardim da infância
no meio da ingenuidade

A adolescência varonil
de belas recordações
sentiste o torpor do silêncio
talvez em sonhos

São guerras de consciência
em busca de uma paz serena
ao toque de um violino
indeciso irrequieto

No desterro da vida
salmos soletram  divagam
para o além do meu saber
incomensurável…

Pedro Valdoy

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Lábios

Lábios

São palavras dos teus lábios
cor de mel na estrada
doce e meiga  tranquila
de amores sedentos

Por vales térreos
sinto as sílabas na serenidade
do teu jardim de chocolate
doce e meigo

Letra a letra constróis o amor
de uma vida risonha
por ruelas da tua casa
encantada e bela

São exclamações do teu ser
na revolta silenciosa
ao sentir o frémito doce
de um desejo infindo

Na altura sentirás
o amadurecer de uma eternidade
coberta de ternura num sonho meu
de beijos acalorados…

Pedro Valdoy

Ingenuidade

Ingenuidade

Numa manhã
o portal do meu espírito
encontrar-se-á aberto
Num sorriso
sentirei a frigidez duma manhã
mas o calor do meu sentimento invade-me
ao presenciar aquela criança
esfarrapada alegre
a brincar com os farrapos
de neve que caem
num corpo frágil débil
fraco inocente

Ó triste ingenuidade
que invade a minha alma ao ver a alegria
ingénua duma pobre criança
que sente o calor da felicidade
falsa daqueles nacos de neve
sobre a sua esburacada roupa.

Pedro Valdoy


Porta da Saudade

Porta da Saudade 

Por entre os lírios
crisântemos e rosas
indaguei pela porta da saudade
disseram-me que não sabiam
onde era

Por entre o vento
as nuvens e o Sol
disseram-me que não sabiam
da existência de tal porta
As lágrimas correram-me pelo rosto

Desesperado sentei-me
no rochedo perto da praia
Então do mar soou
uma voz arrastada pelas ondas
uma voz infantil

Seria a voz da minha infância?
Seriam os cânticos do passado?
Estaria ali o portal da saudade?
Então as ondas se abriram
e convidaram-me a passar

Ouvia gritos de alegria
e a saudade da minha voz
entrou de mansinho
levantada por um pedestal
Dali avistei o passado

A tua alma estava presente
por tempos recuados
talvez esquecidos
A minha infância dançava
por entre gnomos e duendes

E ali passei indeciso
coberto de recordações
de saudade em te ver
em espaços longínquos
no túnel do amor.

Pedro Valdoy



O Beijo

O Beijo

O congresso do beijo
começou intrépido
por ruas de lábios
flamejantes  indolores

A pureza estagnava
na vergonha atrevida
de seres sequiosos
no silêncio da calçada

A força do prazer
esvaía-se incolor
na travessa da cidade
pelo longo horizonte

O falatório brilhava
de palavra em palavra
de conselho intrépido
no volante da vida.

Pedro Valdoy

Minha Flor

Minha Flor

Minha flor do campo
tuas pétalas
são o sorriso da minha alma

São a ternura
dos sessenta por entre
a brisa de um passado

A sensualidade
de teu corpo irrequieto
desliza pelas ondas do mar

O amor eterniza-se
nas árvores frondosas
do nosso bosque

A tua sensibilidade
comoveu meu coração
na concha entreaberta

As borboletas
dançavam por entre as nuvens
recheadas do teu afecto

O passado longínquo
alargou nossos sentimentos
levados pelo vento

Agora o teu regresso
ao correr das pétalas
neste mundo presente.

Pedro Valdoy

Em Silêncio

Em Silêncio

No rastro do silêncio
brotam as anémonas
de um amor singelo
com púrpuras de gelo

São fragrâncias da Primavera
no beijo eterno das abelhas
perante a beleza
de um florir inocente

Ventos de Suão
deslizam por terras alentejanas
na fertilidade do desejo
que acampa sobre nuvens

As formigas marcham
na intempérie da estação
em busca do futuro
por caminhos perigosos.

Pedro Valdoy


Rosas

Rosas

Eu procurei rosas
na tempestade do teu sonho
andei por caminhos de seda
em busca do odor do teu perfume

Tentei cobrir o teu rosto
de açucenas na nossa jovialidade
de uma infância esquecida
no voo da águia sonolenta

Procurei a infância
num dueto musical
estranhamente na piedade
de gotas açucaradas

Talvez achasse o jardim
nos teus olhos cor de fogo
na nossa infantilidade
na ingenuidade de um amor

São cabelos de linho
na estrada do destino
ao colocar a Lua
no teu colo sereno.

Pedro Valdoy


Ecos

Ecos

Os ecos
Soam como campainhas
através de montanhas
e rasgam o silêncio
da vitalidade humana

Atravessam minha alma
ensanguentada
pelo ardor de um amor
perdido na penumbra

São laivos de esperança
no sentir de neblinas
cobertas pelo coração
amargurado e sentido

Os ecos ressoam
e transportam uma flor
esquecida pelo tempo
na ausência de uma rosa

São a esperança
de um regresso prematuro
talvez desejável
para quem amou.

Pedro Valdoy